O DNA como exemplo paradigmático
Paralelo estrutural, não prova científico-natural: o DNA mostra o quimismo em sua forma mais pura: a adenina “reconhece” apenas a timina, a guanina apenas a citosina. A relação é altamente específica e constitutiva — as cadeias de DNA existem uma para a outra, cada uma é o complemento da outra. Dessa especificidade nasce a informação. O ponto filosófico central: a própria relação se torna substância. O DNA não é nem apenas “químico” nem apenas “mecânico” — ele mostra a transição para a teleologia: a informação organiza processos subsequentes (a síntese de proteínas), tendo, portanto, já o caráter de uma finalidade interna. Mas o DNA não “quer” nada — ele é cego. A transição plena para a teleologia exige uma posição consciente de fins.
Aplicação moderna: interfaces como quimismo técnico. Os princípios químicos encontram talvez sua ilustração mais evidente na tecnologia da informação: USB-A e USB-B existem um para o outro como ácido e base — eles têm uma afinidade específica entre si. Conectores incompatíveis “não reagem” entre si. Um adaptador funciona como um catalisador: ele possibilita a conexão sem ser consumido no processo. E quando dois sistemas de computador são conectados por meio de interfaces compatíveis, surge a capacidade de rede — uma propriedade qualitativamente nova, que não estava contida em nenhum dos sistemas isolados. Princípios químicos (afinidade qualitativa, mediação catalítica, novidade emergente) operam muito além da química. Ao mesmo tempo, tanto o DNA quanto as interfaces mostram por que o quimismo não pode ser a última palavra: ambos remetem a fins — mas de onde vêm esses fins? Isso conduz à teleologia.
Capítulo 16–18: Teleologia — Autoorganização Segundo Fins
Para que preciso disso? Qual é a diferença entre uma máquina que cumpre um fim externo (um martelo serve ao prego) e um sistema que é seu próprio fim (um organismo se conserva a si mesmo)? Essa distinção é decisiva para qualquer organização: ela é conduzida apenas em função do lucro — ou é um sistema vivo?