A estrutura U-P-S --- O código genético da lógica

Essa estrutura retorna como o primeiro dos modos de ordenação em [[systematisches-denken:7]] (opcional) — lá desenvolvida sem pressupor Hegel, a partir de objetos que todos conhecem.

Execute isso (Experimento 62): Você lê estas linhas e, ao fazê-lo, realiza simultaneamente três níveis: (1) Universal (U) — estruturas universais da linguagem, da argumentação, da lógica, que valem para qualquer leitor. (2) Particular (P) — sua perspectiva cultural, biográfica e profissional — o modo específico como você, como esta pessoa com estas experiências, absorve o texto. (3) Singular (S) — sua reação individual e única precisamente agora, neste momento, com este estado de espírito. Observe: o Particular (P) não é “alguma característica qualquer” sua. São as particularidades que resultam do seu ser-humano — os papéis e perspectivas nos quais o universal (o ser dotado de razão) se corporifica em você.

A estrutura U-P-S a partir do exemplo “democracia”: U (Universal) — o princípio do autogoverno do povo. Esse princípio exige necessariamente determinadas particularizações. Para dentro (órgãos): toda democracia precisa de uma função legislativa, uma executiva e uma judiciária — isso decorre do próprio conceito de autogoverno, pois quem se governa a si mesmo precisa poder estabelecer regras, aplicá-las e examiná-las. Para fora (tipos): o autogoverno pode ser organizado de forma imediata (direta — o povo decide por si mesmo) ou mediada (representativa — o povo elege representantes que decidem). Essa distinção é disjuntiva: ou o povo decide por si mesmo, ou ele delega. S (Singular) — esta democracia concreta, aqui e agora, por exemplo a República Federal da Alemanha, que mescla ambas as formas (representativa em princípio, com elementos diretos no nível estadual). Sem U, P seria arbitrário (por que precisamente estes órgãos?). Sem P, U seria vazio (como o autogoverno se realiza concretamente?). Sem S, tudo seria abstrato (onde está a realidade?). Os três momentos são não autônomos — existem apenas uns em relação aos outros.

A necessidade lógica: sem U, nenhum princípio determinante; sem P, nenhuma distinção; sem S, nenhuma realização concreta. U-P-S não é uma classificação, mas um movimento vivo: o universal se particulariza, o particular se singulariza, o singular retorna ao universal.