Kommentar zu Hegel und Marx, Capítulo 18
Forma e substância
Neste ponto, é necessária uma distinção sem a qual não se pode falar do hegelianismo de Marx.
No plano da forma, Marx é hegeliano, e sem restrição. O desenvolvimento da mercadoria ao capital segue a estrutura da lógica da essência: a essência precisa aparecer e não pode aparecer imediatamente (desenvolvido em Das Wesen als Reflexion a Rückblick auf die Wesenslogik, opcional). O valor aparece primeiro de modo inadequado, depois em forma exterior como dinheiro, e por fim em sua forma própria como valor que se valoriza. Os ciclos do segundo volume formam um sistema de silogismos. A análise do fetiche aplica essa estrutura à consciência: o que aparece como propriedade das coisas é uma relação social — o mesmo movimento com que Hegel dissolve a certeza sensível.
No plano da substância — a questão de que é feito o valor — o caso é outro. A tese de Marx segundo a qual o trabalho humano abstrato é a única fonte do valor já era contestada em sua época e continua sendo. O problema se manifesta em sua própria obra. A exposição do primeiro volume é fechada, desde que se abstraia da concorrência entre muitos capitais. Assim que o terceiro volume a incorpora, Marx precisa admitir que os preços não se regem pela substância do valor, e a relação entre ambos se torna uma questão que ele não resolve. Ela permanece sem solução até hoje.
Essa distinção permite reconhecer o mérito metodológico sem adotar as teses de conteúdo. A análise da forma — a de que, por trás da aparente imediatidade, há uma mediação social — permanece válida. O que constitui essa mediação pode ser determinado de outro modo que não por uma substância do valor. A Parte V retoma essa questão; ela é desenvolvida em [[kapitalismus-einfuehrung:6]], onde o valor de troca é derivado dos itens de custo como posições de apropriação, em [[kapitalismus-einfuehrung:10]], sobre a questão de onde vem o excedente, e em [[kapitalismus-einfuehrung:10a]], onde se decide o que decorre da renúncia à substância.