Comentário ao Espírito subjetivo, Capítulo 49

Um desiderato: a recepção do Extremo Oriente

Não tratada, mas registrada — porque coloca uma questão que já surgiu na primeira parte.

A determinação hegeliana do impulso pela carência e sua constatação de que a felicidade, como soma de satisfações, fracassa encontram-se com ideias fundamentais budistas — e delas se separam na questão de saber se a carência deve ser superada (aufgehoben) ou configurada (ver Primeira Parte, sobre o espírito prático).

Foi exatamente aí que a Escola de Kyoto se posicionou. Nishida Kitarō, Tanabe Hajime e Nishitani Keiji pensaram a dialética hegeliana em conjunto com os conceitos do zen e da tradição mahāyāna — não como comparação, mas como continuação. A pesquisa coreana sobre Hegel deu seguimento a esse movimento.

Se, com isso, Hegel saiu ganhando ou perdendo seria algo a examinar pelos mesmos critérios usados nas demais recepções: o que deve ser salvo, e o que a experiência pode mudar? A este volume faltam as fontes para isso.

Bibliografia

Textos de Hegel

Enzyklopädie der philosophischen Wissenschaften (1830), §§ 377–482, citada conforme TWA 10. Os Zusätze provêm da edição póstuma organizada pelos amigos de Hegel e remontam a apontamentos de aula.

Vorlesungen über die Philosophie des subjektiven Geistes, editado por Christoph Johannes Bauer, 3 vols., Hamburgo, 2016 (GW 25.1–3). Contém os apontamentos de Hotho (1822), Griesheim (1825) e Stolzenberg (1827/28), além de um apêndice com variantes.

Vorlesungen über die Philosophie des Geistes. Berlin 1827/1828, apontamentos de Johann Eduard Erdmann e Ferdinand Walter, editado por Franz Hespe e Burkhard Tuschling, Hamburgo, 1994 (Vorlesungen, vol. 13).

Philosophische Enzyklopädie. Nürnberg 1812/13, apontamentos de Christian Samuel Meinel e Julius Friedrich Heinrich Abegg, editado por Udo Rameil, Hamburgo, 2002 (Vorlesungen, vol. 15). Os ditados que lhes serviram de base já haviam sido publicados na edição póstuma dos amigos sob o título Philosophische Propädeutik.

Nürnberger Gymnasialkurse und Gymnasialreden (1808–1816), GW 10, Hamburgo, 2006.

Grundlinien der Philosophie des Rechts (1820), §§ 4–32, TWA 7.

Edições e Concordâncias

G. W. F. Hegel, Philosophy of Subjective Spirit, editado e traduzido por Michael John Petry, 3 vols., Dordrecht 1978. Bilíngue, com referências de fontes da literatura contemporânea.

Concordância das edições da Enciclopédia 1817 / 1827 / 1830 (material de trabalho do projeto). As lições de 1822 e 1825 citam a numeração da primeira edição.

Os Discípulos

Carl Ludwig Michelet, Anthropologie und Psychologie oder die Philosophie des subjectiven Geistes, Berlim 1840. — Idem, Das System der Philosophie als exacter Wissenschaft, vol. 3: Philosophie des Geistes, Berlim 1878.

Karl Rosenkranz, Psychologie oder die Wissenschaft vom subjectiven Geist, Königsberg 1837; 2ª ed. 1843 („Nebst Widerlegung der vom Herrn Dr. Exner gegebenen vermeintlichen Widerlegung“). — Idem, System der Wissenschaft, Königsberg 1850, Terceira Parte.

Johann Eduard Erdmann, Leib und Seele. Nach ihrem Begriff und ihrem Verhältniß zu einander, Halle 1837; 2ª ed. 1849. — Grundriss der Psychologie. Für Vorlesungen, Leipzig 1840; 2ª ed. 1842; 3ª ed. 1847. — Psychologische Briefe, Leipzig 1852; 2ª ed. 1856 (cinco edições). — Vorlesungen über Akademisches Leben und Studium, Leipzig 1858, Décima Sétima Aula. — Grundriss der Geschichte der Philosophie, vol. 3, Berlim 1866.

Palestras de Erdmann: Ueber Lachen und Weinen (1850), Ueber die Langeweile (1852), Über Gewohnheiten und Angewohnheiten (1858), Das Träumen (1861), Ueber Schwärmerei und Begeisterung (1863), Ueber Dummheit (1866), Vom Vergessen (1869).

Julius Schaller, Die Philosophie unserer Zeit, Leipzig 1837. — Leib und Seele. Zur Aufklärung über „Köhlerglaube und Wissenschaft“, Weimar 1855. — Das Seelenleben des Menschen, Weimar 1860.

Os Adversários

Franz Serafin Exner, Die Psychologie der Hegelschen Schule, beurtheilt aus dem Standpunkte der Erfahrung, Erstes Heft, Leipzig 1842. — Zweites Heft: Die Erwiderungen der Herren K. Rosenkranz und J. E. Erdmann, Leipzig 1844.

Os Intérpretes

Hermann Drüe, Die Philosophie des Geistes, in: Hegels „Enzyklopädie der philosophischen Wissenschaften“ (1830). Ein Kommentar zum Systemgrundriß, hg. von Herbert Schnädelbach, Frankfurt 2000.

Pirmin Stekeler-Weithofer, Hegels Realphilosophie, Hamburg 2023.

Dirk Stederoth, Hegels Philosophie des subjektiven Geistes. Ein komparatorischer Kommentar, Berlin 2001.

Richard Dien Winfield, Hegel and Mind. Rethinking Philosophical Psychology, Basingstoke 2009. — The Living Mind. From Psyche to Consciousness, Lanham 2011.

Vittorio Hösle, Hegels System, cap. 6 (citado conforme a edição italiana).

Adriaan Peperzak, Hegels praktische Philosophie, Stuttgart-Bad Cannstatt 1991, p. 90–106.

Trabalhos preparatórios próprios

[[subjektiver-faktor]] trata da psicologia no sentido atual, [[handeln]] da vontade prática, Systematisches Denken da teórica. A filosofia da natureza, da qual esta parte se origina, é desenvolvida em Hegels Naturphilosophie; a filosofia do direito, na qual ela desemboca, em Hegels Rechtsphilosophie. Sobre a lógica, que está pressuposta ao longo de todo o texto, ver Hegels Logik.