Kommentar zu Hegel und Marx, Capítulo 12
A primeira tese e a transição para a Ideia
A primeira tese é sistematicamente a mais importante:
„A principal deficiência de todo materialismo anterior (incluindo o de Feuerbach) é que o objeto, a realidade, a sensibilidade só são apreendidos sob a forma do objeto ou da intuição; mas não como atividade humana sensível, prática; não subjetivamente. Por isso o lado ativo foi desenvolvido, em oposição ao materialismo, de modo abstrato pelo idealismo […].“ (MEW 3, 5; citada é a própria versão de Marx no caderno de notas, não a versão de Engels editada em 1888)
A expressão „forma do objeto“ designa um lugar determinado. Na Lógica do Conceito de Hegel, ao conceito subjetivo segue-se a objetividade (desenvolvida em Mechanismus, opcional) — o mundo como todo ordenado, tratado sob os títulos mecanismo, quimismo e teleologia. Essa concepção revela-se incompleta, pois pressupõe um pensamento que primeiro a determina como objetividade. A transição para a Ideia realiza exatamente aquilo que Marx aqui exige: a Ideia já não é um objeto acabado da intuição, mas o movimento no qual sujeito e objeto se compenetram — desdobrada como Ideia da vida, do conhecer e do querer.
A „atividade humana sensível“ de Marx é a unidade de conhecer e querer: não primeiro contemplar e depois agir, mas ambos como momentos de uma realização. O que Hegel desenvolve como Ideia do conhecer e do querer, Marx concretiza como prática social. A terminologia diverge, a estrutura não.
Marx mesmo o diz, em parte. O idealismo teria desenvolvido o lado ativo, „mas apenas de modo abstrato“. Isso não é uma rejeição, mas a acusação de não ter levado algo suficientemente longe — a acusação de um herdeiro, não de um adversário. E o que ele critica é Feuerbach, que recua atrás de Hegel: Feuerbach quisera substituir o pensamento mediador de Hegel por uma filosofia da intuição imediata, e com isso recuara atrás da filosofia crítica.
A terceira tese e a interação recíproca
„A doutrina materialista sobre a mudança das circunstâncias e da educação esquece que as circunstâncias são mudadas pelos homens e que o próprio educador precisa ser educado. […] A coincidência da mudança das circunstâncias com a atividade humana ou automudança só pode ser apreendida e racionalmente compreendida como prática revolucionária.“ (MEW 3, 5 s.)
O adversário aqui é um materialismo mecânico que concebe os homens como produtos de suas circunstâncias e, com isso, esquece que as circunstâncias são feitas pelos homens. Quem pensa assim precisa dividir a sociedade em duas partes, uma das quais está acima dela — os educadores, que eles mesmos não foram educados. Marx mostra que essa divisão decorre do erro de pensamento.
A coincidência entre a mudança das circunstâncias e a automudança é a estrutura que Hegel desenvolve na Lógica da Essência como ação recíproca (Wechselwirkung) (Die Wirklichkeit, opcional): dois lados que se constituem mutuamente, sem que um determine o outro unilateralmente. Marx chama de prática revolucionária a apropriação consciente dessa estrutura. O nome é novo, a determinação não.
As demais teses
A segunda tese desloca a questão de saber se ao pensamento cabe uma verdade objetiva, da teoria para a prática: é ali que o homem deve provar a realidade e a imanência (Diesseitigkeit) de seu pensamento. Isso soa dirigido contra Hegel e não o é. Que o conhecer deve comprovar-se no querer, e que não há um além inalcançável do pensamento, foi desenvolvido contra Kant — e precisamente por Hegel. Marx desloca a ênfase para o lugar dessa comprovação. O que resulta quando se amplia esse deslocamento a uma teoria geral da verdade, é tratado na Parte V.
A sexta tese é a mais célebre: a essência humana não seria um abstrato inerente ao indivíduo, mas „em sua realidade, o conjunto (ensemble) das relações sociais“ (MEW 3, 6). Contra a mudez da generalidade genérica de Feuerbach, isso está certo. Contra Hegel só estaria certo se este tivesse determinado a essência do homem de modo abstrato — e é justamente isso que ele não faz. Na Filosofia do Direito, a pessoa é real como membro da família, da sociedade civil e do Estado; a essência está nas relações éticas (Sittlichkeit) e em nenhum outro lugar. A fórmula de Marx é uma tradução da eticidade para a linguagem das ciências sociais. O que ele acrescenta está na sétima tese: que essas relações são historicamente variáveis, e que também o indivíduo abstrato que Feuerbach analisa pertence a uma forma social determinada. Isso é uma historicização que está esboçada em Hegel, mas não executada.
A oitava tese diz que todos os mistérios que levam a teoria ao misticismo encontram sua solução racional na prática humana e na compreensão dessa prática. O acréscimo merece atenção: não a prática sozinha, mas a prática e sua compreensão.
A décima primeira tese, finalmente — os filósofos apenas interpretaram o mundo de diferentes maneiras, mas o que importa é transformá-lo — costuma ser lida como uma renúncia à filosofia. Tomada como renúncia, ela se autossupera, pois é uma afirmação teórica sobre a relação entre teoria e prática. Lida como exigência da ideia prática, ela realiza uma transição que o próprio Hegel desenvolve na Lógica do Conceito: do conhecer teórico ao conhecer prático (Erkennen und Wollen, opcional). O que Marx acrescenta é a acusação de que a filosofia até então ficara presa à interpretação. A acusação atinge a aplicação de Hegel. Hegel havia desenvolvido a ideia prática e não a executara na Filosofia do Direito.
O que as teses mostram
A estrutura lógica das teses é hegeliana do início ao fim: o lado ativo contra o materialismo contemplativo, a determinação recíproca entre circunstâncias e automudança, a essência concreta contra o gênero abstrato, a unidade de teoria e prática. O que Marx acrescenta é a ênfase na prática como lugar de comprovação, a historicização das relações e a virada política.
O que ele não faz é prestar contas disso. Ele se entende como materialista contra o idealismo, ao passo que seu materialismo pressupõe a lógica que atribui ao idealismo. Para a história de sua recepção, isso tem mais consequências do que qualquer tese isolada.
As demais teses, lidas em sequência
O que vale para a primeira tese vale também para as outras — e de modo tão regular que disso resulta um padrão.
A tese 2 declara prática a questão da verdade: „É na prática que o homem deve provar a verdade, isto é, a realidade e o poder, a imanência (Diesseitigkeit) de seu pensamento.“ Isso soa antihegeliano. Mas Hegel já havia mostrado, na ideia prática, que o conhecer precisa comprovar-se no querer, e a imanência do pensamento é exatamente o que ele desenvolve contra Kant. O que Marx acrescenta é a ênfase, não o pensamento.
A tese 6 é a mais célebre: a essência humana seria „em sua realidade […] o conjunto (ensemble) das relações sociais.“ Isso é antifeuerbachiano — contra o gênero abstrato. Não é antihegeliano: Hegel já havia mostrado, na Filosofia do Direito, que a pessoa só é real como membro da família, da sociedade civil e do Estado.
A tese 8 exige a „solução racional“ dos mistérios na prática. Isso atinge Feuerbach, que dissolve a religião teoricamente e não a supera praticamente. Hegel havia determinado a ideia absoluta como unidade da ideia teórica e da prática; também aqui Marx desloca a ênfase.
A tese 11 costuma ser lida como ruptura com a filosofia: „Os filósofos apenas interpretaram o mundo de diferentes maneiras; o que importa é transformá-lo.“
Ela também pode ser lida como consequência. Se o conhecer precisa comprovar-se na prática, a transformação do mundo é o critério da verdade. A acusação atinge então a aplicação de Hegel, não sua lógica: ele havia desenvolvido a ideia prática e não a aplicara consequentemente na Filosofia do Direito.
O que a sequência revela
Em todos os cinco casos, o mesmo: o pensamento está em Hegel, a ênfase é nova. Marx critica Feuerbach com argumentos que encontrou em Hegel — e ao mesmo tempo os dirige contra a própria aplicação de Hegel.
Isso não é refutação nem filiação, mas ambos: uma crítica de dentro, que retira a medida do próprio lugar onde a aplica.