Kommentar zur Naturphilosophie, Capítulo 23
Duas passagens em que Hegel antecipa desenvolvimentos posteriores
Vittorio Hösle reúne casos desse tipo, e dois deles são consistentes.
A luz. Hegel rejeita as duas teorias da luz de sua época, tanto a teoria da emissão quanto a teoria da ondulação, e o faz por considerá-las igualmente unilaterais: “Nenhuma das duas representações está aqui em seu lugar, pois aqui nada empírico é válido” (§ 276 Zus.). A fundamentação é ruim — ela equivale a recusar a questão empírica. Mas o diagnóstico acerta: também a teoria quântica parte da unilateralidade de ambas as concepções, e a dualidade onda-partícula é a forma pela qual ela a incorpora.[1]
Com isso é possível aprender algo sobre o valor de tais antecipações: Hegel tem razão naquilo que rejeita, e não tem razão naquilo que coloca no lugar. Quem daí conclui que ele pressentiu a teoria quântica exagera; quem ignora o diagnóstico o subtrai. [KF]
O tempo. Hegel insiste que o tempo não é construído como o espaço — ele tem uma direção, ao passo que o espaço não tem nenhuma. A dinâmica de sua época via isso de outro modo: suas equações são reversíveis no tempo. Só com a termodinâmica dos processos irreversíveis a anisotropia do tempo foi reconhecida fisicamente — Ilya Prigogine a fez valer, contra o conceito reversível de tempo da dinâmica, em Do Ser ao Devir (1979).[2]
Aqui a antecipação é mais substancial: Hegel fixa uma diferença que mais tarde se revelaria considerável.