Comentário ao Espírito subjetivo, Capítulo 21
Por que “Psicologia” aqui significa outra coisa
O aviso é necessário, e o próprio Hegel o faz — já na introdução à filosofia do espírito (§ 378).
Ele distingue ali três acessos, todos rejeitados. A pneumatologia ou “chamada psicologia racional” trata o espírito como “metafísica abstrata do entendimento” — pergunta se a alma é simples, imortal, imaterial, e faz dela uma coisa. A psicologia empírica observa e descreve “as faculdades espirituais particulares”, mas não chega “à verdadeira unificação do singular e do universal”. E a mera observação da “singularidade contingente” não rende de todo modo nada.
O que Hegel faz, em vez disso, não é nem uma coisa nem outra: ele não pergunta quais faculdades existem e como interagem, mas quais formas existem em que o espírito se relaciona com um conteúdo — e como elas se sucedem umas às outras.
E daí o aviso que ele formula expressamente: a dificuldade consiste “para o entendimento em livrar-se da separação que uma vez fez arbitrariamente entre as faculdades da alma, o sentimento, o espírito pensante, e chegar à representação de que no homem há apenas uma razão no sentir, no querer e no pensar.”
Essa é a frase da qual tudo depende. Quem toma intuição, representação, pensamento, sentimento e vontade por cinco faculdades que trabalham lado a lado errou essa parte antes mesmo de lê-la. É uma atividade em formas diferentes. [KF]