A carência do mecanismo — transição ao quimismo

O problema da afinidade: O mecanismo absoluto não consegue explicar por que determinados objetos atuam seletivamente uns sobre os outros. Um ímã atrai o ferro, mas não a madeira. De onde vem essa seletividade?

Ilustração (imagem de pensamento, não prova): Parta um ímã em barra ao meio. Expectativa: um polo norte isolado e um polo sul isolado. Na realidade: dois novos ímãs, cada um com ambos os polos. Os polos magnéticos estão constitutivamente relacionados entre si — o polo norte só é polo norte em relação ao polo sul. Isso é mais do que indiferença mecânica, mas ainda não é uma transformação plena. O magnetismo ilustra o fenômeno de transição que impele para além do mecanismo — a transição lógica propriamente dita resulta da carência do mecanismo, não do exemplo natural.

Ferramenta prática: Pergunte, diante de cada sistema: as relações são externas ou constitutivas? As partes são intercambiáveis ou específicas? Falta a autorreferência? Onde a resposta for, em cada caso, a primeira alternativa -> mecanismo. Ressonância social: cadeias de suprimento globais, mercados de trabalho como “recursos humanos”, controle algorítmico de feeds — a indiferença mecânica possibilita a exploração, mas não a impõe.