A verdade da necessidade é a liberdade
Se A é determinado por B e B por A, então o sistema A–B se determina a si mesmo. A heterodeterminação (necessidade/causalidade) se converte em autodeterminação — o que, em termos performativos, significa: quem reconhece que é determinado por relações pode começar a configurar essas relações conscientemente. Esse é o nascimento lógico da liberdade. Três estágios: necessidade cega (as leis atuam, mas não são compreendidas — a pedra cai), necessidade reconhecida (compreende-se por que tem de ser assim — o físico entende a gravitação), necessidade livre (o ser pensante reconhece que ele próprio realiza as estruturas — o filósofo reconhece que aplica as categorias, não apenas as sofre). Liberdade não é arbítrio, mas necessidade reconhecida e apropriada.